Receitas do Furacão

E aí pessoal? Tudo beleza? Hoje irei trazer uma receita que apesar de ser fácil e bem parecida com a receita de iscas de carne que já mostrei aqui, jamais imaginei fazê-la na condição adversa em que foi feita; devido a essa condição adversa, este post, além da receita será um depoimento pessoal (e também no futuro um capítulo especial do meu livro), pois irei falar da experiência que passei durante a passagem do furacão Matthew durante minha viagem para Flórida. 

Como havia postado dia 28 de setembro na página do Macho Cozinha do facebook, viajei para Orlando na Flórida para curtir umas férias com minha família nos parques da Disney, nos parques da rede Seaworld também em Orlando e, claro, fazer umas compras. Como nossa viagem iria durar apenas 10 dias, optamos por intercalarmos cinco dias de parque com cinco dias de compra, porém após 04 dias de estadia naquela cidade tomamos conhecimento de que um furacão já havia feito mais de 300 mortes (os números finais dizem terem sido mais de 1000 mortos) nos países caribenhos (Haiti principalmente) e se aproximava da região da Flórida.

Meus amigos, nós aqui no Brasil não fazemos ideia do que fazer para se preparar para “receber” um furacão e por incrível que pareça naquela cidade do estado da Flórida os habitantes locais também não estavam acostumados, pois um evento desse não ocorria desde 1984.

Inicialmente, nós (eu, minha esposa, meus filhos e minha sogra) não demos muita importância para os noticiários da TV, pois como disse anteriormente… Furacão?! E daí!!! As outras pessoas nos parques e nos mercados estão agindo naturalmente, porque eu vou me incomodar? Acontece que no dia 05 de outubro estávamos num dos parques do complexo Disney (Hollywood Studios), que para nós tratava-se do dia mais importante da viagem, pois estávamos comemorando o aniversário do meu filho Felipe e na parte da tarde recebi uma mensagem de um aplicativo da FEMA (Federal Emergency Management Agency, tradução para Agência Federal de Gestão de Emergências) que havia instalado no meu celular, na qual ORDENAVA  que as pessoas se preparassem para o furacão e que não saíssem de casa a partir das 17 horas de quinta e  além dessa “ordem” o aplicativo dava instruções de como se preparar.

Após essa mensagem do aplicativo, confesso que fiquei um pouco tenso, porém não queria passar tal preocupação para as crianças, tentei manter a calma pois afinal ainda era quarta feira e pelo horário que recebi a mensagem, ainda tínhamos mais de 24 horas para nos preparar para o furacão.  Meus amigos, pouco mais de 20 minutos de ter recebido a mensagem da FEMA, enquanto andava pelo parque utilizando um aplicativo da Disney como GPS (a Disney disponibiliza um aplicativo em que você pode agendar eventos, “marcar” lugares em filas das atrações e principalmente guiar você pelo interior do parque, além de outras funções) recebi outra mensagem deste aplicativo da Disney dizendo que devido ao furacão TODAS as instalações da Disney estariam fechadas na quinta e na sexta… Aí eu gelei (para não dizer uma expressão mais feia).

Como não tinha muito o que fazer naquela hora, resolvemos aproveitar o final daquele dia de parque e somente no dia seguinte iriamos ao mercado para comprar as coisas que o aviso da FEMA dizia ser os itens a serem estocados pelos moradores locais.

Ao chegarmos em casa naquela noite, naturalmente, podres de cansado, enquanto as crianças tomavam banho e nós preparávamos o jantar (algum congelado pronto) ligamos a TV para ver as notícias. O que víamos eram imagens simuladas do caminho que o furacão iria percorrer, imagens dos estragos que o furacão já havia provocado na região mais ao sul da Flórida e imagens de repórteres (malucos) com capas de chuva “enfrentando” o furacão (figura 1). Além disso, outros repórteres mostravam ao vivo as prateleiras dos mercados vazias e postos de combustíveis fechados com gasolina esgotada… Essas últimas imagens, mais do que as primeiras, nos deixaram mais preocupados; pensamos em sair naquela hora (umas 23:45h mais ou menos) para comprar as coisas, mas a chuva estava muito forte e desistimos da ideia.

Figura 1 - Povo maluco!

Figura 1 – Povo maluco!

Ao chegarmos ao mercado no outro dia pela manhã, percebíamos nitidamente um ar de preocupação e aflição estampados na cara dos americanos, todos “meio que” fazendo compras sem pensar muito… Os carrinhos cheios de produtos (sempre em grande quantidade) e TODOS com passos acelerados (uns até correndo); sem perder tempo (porém sem correr) fomos direto para o corredor de água mineral (a FEMA recomendava que estocássemos água e produtos que não precisassem de eletricidade para serem confeccionados, pois o fornecimento tanto de um quanto de outro poderiam ser cortados caso o furacão fizesse um estrago maior) e ao chegarmos lá o primeiro susto, o corredor inteiro sem nenhuma garrafinha, nada (figura 2).

Figura 2 - Cadê a água?!

Figura 2 – Cadê a água?!

Optamos por levar refrigerantes (na hora só pensamos no consumo e nem lembramos da necessidade da água para higiene pessoal); partimos então para a comida que não necessitasse de eletricidade e adivinhem o que encontramos nas prateleiras de pão de forma ou variados desses… Nada!!!  (figura 3) Para não dizer que não achei nada, encontrei um pacote de pão tipo hambúrguer perdido dentro de uma geladeira de congelados; a solução foi comprar um monte de pacote de biscoito (tipo cookie) e batata frita (tipo Pringles).

Figura 2 - Cadê o pão que estava aqui?! O povo comeu! Ou pelo menos estou rsrs

Figura 3 – Cadê o pão que estava aqui?! O povo comeu! Ou pelo menos estocou rsrs.

Ainda tínhamos intenção de comprar as lanternas, particularmente este item, dois dias antes estive nesse mesmo mercado que estava naquele momento para comprar uma lanterna com características diferentes (uma que tivesse um filtro verde), porém apesar de ter inúmeros modelos diferente não achei a que eu queria. Corri para o corredor de lanterna e ao chegar lá… NADA!!! (figura 4).  Parti então para as velas, mas o que percebi é que o americano não sabe o que é vela sem ser aquelas com cheiro, com formatos diferentes ou temáticas (figura 5), e mesmo essas já tinham terminado, a solução foi comprar umas velas de LED usadas como enfeite de Natal (figura 6).

Figura 4 - Nada de lanterna!!! Esta grade estava LOTADA de lanternas de formatos e tamanhos diferentes dois dias antes.

Figura 4 – Nada de lanterna!!! Esta grade estava LOTADA de lanternas dois dias antes.

Figura 4 - Vela?! Só decorativas e aos olhos da cara!

Figura 5 – Vela?! Só essas três decorativas de Santos e aos olhos da cara!

Figura 5 - Pelo menos meu Natal será mais enfeitado!

Figura 5 – Pelo menos meu Natal será mais enfeitado!

Se não bastasse mais nada, eu tinha outro problema que vinha enfrentando desde o início da viagem e que precisava resolver urgente… Era a comida de minha filha. De um modo geral, a comida americana são temperadas com pimenta do reino moída (às vezes até de maneira exagerada), desde refeições prontas congeladas até as comidas as servidas nos parques, e eu, não aguentando ver mais minha filha comer somente frango empanado frito e batata frita, resolvi comprar alguma coisa simples no mercado para fazer para ela. O furacão me manteve em casa dois dias, pude fazer algo mais incrementado e dessa forma aproveitei para tirar fotos do passo a passo e dessa forma ensinar as receitas que fiz lá.

Foram duas, a primeira apelidei-a de Iscas de frango ao furacão e a outra de Escondidinho do Matthew.

Para a primeira receita vocês irão precisar de:

  • 1 kg de peito de frango,
  • 2 colheres de alho picado,
  • 2 colheres de sopa de molho blue cheese,
  • 1 colher de sopa de azeite,
  • 2 colheres de manteiga,
  • 1 cebola grande cortada em rodelas,
  • ½ xícara de cream cheese,
  • Sal à gosto.

Como fazer: 

Peguem os peitos de frango e cortem em tirinhas (figura 6), depois tempere-os com alho (figuras 7 e 8), uma colher de molho blue cheese (figura 9), sal à gosto (como referência utilizei uma colher de chá de sal) e reserve-os.

Figura 6 - Frango em tirinhas.

Figura 6 – Frango em tirinhas.

Figura 6 - Picando o alho.

Figura 7 – Picando o alho.

Figura 7 - Temperando com alho.

Figura 8 – Temperando com alho.

Figura 8 - Molho de salada Blue Cheese ótimo para temperar frango.

Figura 9 – Molho de salada Blue Cheese ótimo para temperar frango.

Cortem as cebolas em rodelas (figura 10) e de imediato levem para grelhar numa frigideira com duas colheres de sopa de manteiga derretida e uma colher de azeite (Figuras 11 e 12).

Figura 10 - Cebolas em rodelas.

Figura 10 – Cebolas em rodelas.

Figura 11 - Manteiga, azeite (em spray mesmo).

Figura 11 – Manteiga e azeite (em spray mesmo).

Figura 12 - Primeiro um lado, depois o outro.

Figura 12 – Primeiro um lado da cebola, depois o outro.

Sem desligar o fogo (na verdade nesse fogão não há fogo e sim calor térmico) retirem as cebolas e coloquem o frango para grelhar (figura 13).

Figura 13 - Tirinhas de frango para grelhar.

Figura 13 – Tirinhas de frango para grelhar.

Quando o frango estiver bem grelhadinho coloquem novamente a cebola (figura 14) e mexam bem com uma uma colher de bambu ou espátula de silicone para que a cebola incorpore nas tirinhas de frango. Quando o frango tiver bem douradinho coloquem o cream cheese (figura 15) e mexam bem até derreter (figura 16).

Figura 13 - O retorno tão esperado da cebola.

Figura 14 – O retorno tão esperado da cebola.

Figura 14 - O Segredo do Sucesso, cream cheese!!!

Figura 15 – O Segredo do Sucesso, cream cheese!!!

Figura 16 - Prontinho! Bonito não?!?!

Figura 16 – Prontinho! Bonito não?!?!

 Com esse franguinho, um arroz preparado numa panela de arroz elétrica, um feijão enlatado e uma salada pronta vendida em saquinho, vi minha filhota “bater” um pratão de comida (figura 17) e pedir mais… Obrigado Furacão Matthew!!!  

Figura 18 - Servidos?!

Figura 17 – Servidos?!

Amigos, a receita do Escondidinho do Matthew irei colocar no próximo post, pois este já está grande demais, combinados?! Eu espero que vocês gostem da receita, mas espero também que vocês curtam o meu depoimento sobre estar literalmente no meio do furacão.

Aproveito a oportunidade para dizer que TUDO ISSO que passei com minha família, apesar de extremamente estressante, foi amenizado pelo apoio constante de uma brasileira que apesar de morar no Brasil é a proprietária do apartamento na Flórida que eu aluguei para passar 10 dias; uma pessoa que se preocupou em ligar diariamente para perguntar como estávamos e principalmente nos passar boletins meteorológicos informando o “caminho” que furacão iria percorrer. Somado a esta atenção constante, fiquei disposto a cozinhar no apartamento por ser realmente completo, diria até completíssimo!!! Nenhum utensílio que apareceu nas fotos, tive que comprar… TODOS estão lá!!! É definitivamente um apartamento SUPER estruturado para receber as pessoas e extremamente seguro por se tratar de um condomínio fechado, RECOMENDO DEMAIS!!! Vou mandar o link abaixo, ok! Leila obrigado por tudo!!

 

SEGUE O LINK DO MARAVILHOSO APARTAMENTO

VAMOS TENTAR?
AOS TALHERES!

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